Hebert entropia

sábado, 8 de junho de 2013

eu sou apenas tudo isso

Eu sou o troco sem valor/as moedas de 5 centavos com todos os micróbios do mundo/a mão fria e enrugada/o papel amassado longe do lixo/o número do RG/a carteira quase vazia/o maço de cigarros pela metade/a unha roída/o fiapo da costura/a cartela de remédios/a passagem de volta pra casa/a bunda, a coxa, o peito/o metal das chaves/o pente marron translúcido do velho, o lenço xadrez,  a fézinha da casa lotérica/a conta pra pagar, o código de barras amassado/a mensagem do testemunha de Jeová,o advogado falido, a dentista de uma galeria qualquer/a aliança escondida/o baton, o celular, o rimel/ o buraco negro sem estrela/ a mancha redonda da caneta preta que estourou/o bicho da seda, as migalhas das flores/ a sujeira dos restos de tudo/eu sou qualquer um,eu poderia ser todo mundo/ eu sou todo mundo, eu poderia ser qualquer um, mas eu sou apenas um bolso!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Várias variáveis



       Quando eu mostro EU, manifesto meu universo, mostro como eu sinto as experiências que  o meio me interage. O meio interage de infinitas formas e são infinitas maneiras de sentir essas formas. Como são infinitas as  variáveis não se pode chegar numa fórmula matemática; na física quando conseguimos descobrir as variáveis de um evento, colocamos como uma variável é dependente, diretamente ou indiretamente proporcional  à outra, ou seja, como uma influencia na outra e conseguimos montar uma expressão que vai descrever perfeitamente aquela situação, e com isso conseguimos prever o futuro, eu sei aonde a Terra vai estar em relação ao Sol daqui 300 anos porque é um movimento descrito por uma fórmula onde conhecemos todas as variáveis e o universo inteiro iguala-se ao mecanismo de um relógio, onde todas as engrenagens são mutuamente dependentes.      Quando tratamos de humanidades, personalidades, relacionamentos interpessoais, ou seja, quando falamos do ser humano, são várias variáveis e por isso somos tão imprevisíveis e livres!Isso não quer dizer que deixemos de repetir padrões, apenas, “ainda”, não conseguimos equalizar matematicamente estes padrões, o máximo de organização  que conseguimos neste sentido está na descrição artística e psicológica... Freud explica!     Quando nos emocionamos com uma poesia, um filme ou uma música é porque sentimos aquilo, se eu senti e o artista sentiu, já é um padrão, mais de uma pessoa sente da mesma forma. Populares se tornam aqueles que conseguem identificar e registrar o que mais pessoas sentem!       Apesar das variáveis serem infinitas,  no meio do caos conseguimos encontrar alguma ordem, já conseguimos catalogar vários padrões, por exemplo, conseguimos notar de longe quando alguém está apaixonado, pois já vimos várias pessoas apaixonadas e vários romances, músicas e filmes descreveram esse padrão! Porém, chegamos num dilema: será que esse padrão é realmente um padrão do ser humano ou é apenas um padrão imposto? Será que o vídeo imita a vida ou a vida imita o vídeo? Será que é só a lei do mais forte nos impondo como deve ser estar apaixonado através de Hollywood? Não podemos esquecer que a Química exerce função fundamental no contexto, será que minha paixão são só hormônios me deixando confuso e carente? Será só instinto de sobrevivência através da procriação? Será que eu me apaixono por quem é do jeito que eu gostaria de ser?  Posso me apaixonar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Os opostos se atraem? Existe alguém totalmente oposto? Existe alguém totalmente igual? Alma gêmea? Existe Alma?........ Como colocar numa equação todas as variáveis? Quer saber a verdade? A vida seria um saco!


Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos de coar
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal


Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula